“Quando piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira,
Penso na minha escola
E nos poetas da minha estação primeira...”
Folhas Secas
Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito
É por aí o que sinto pela MOOCA, meu bairro adorado.
Ser da Mooca , que em Tupi quer dizer - MO = Fazer + Oca = Casa é algo diferente, intrigante...
Quando pisei pela primeira vez em Solo Moquense, depois de algum tempo fora dela, senti uma emoção tão grande, que lágrimas teimaram em descer pelo meu rosto.
Andar pelas calçadas, mesmo maltradas pelo tempo, novos moradores, PMSP e subs, a sensação é a mesma de reconquista; reconquista da felicidade.
Lembro-me dos vizinhos incríveis que tive das amizades que fiz e ainda mantenho várias delas, das feiras, mais próximas de casa; das longas caminhadas pela Rua da Mooca, ainda com paralelepípedos; de comprar café no Café Sucesso, do Cine Icaraí, depois Ouro Verde, e me lembro do primeiro filme, proíbido para minha faixa etária, que lá assisti “A Cabana do Pai Tomás” e depois do cinema, comer pastel e tomar garapa na pastelaria do japones, tanto da Rua da Mooca, quanto no da Paes de Barros; até da Drogasil que tá lá firme até hoje; da primeira vez que comi pão de queijo e tomei laranjinha seiva; da Escuderia Pepe Legal, hoje, quase uma ONG; do amado Santa Catarina, quanta saudade daquele pátio coberto, que em dias de chuva, jogávamos “basquetinho”, na aula de educação física; da Igreja de São Rafael, da catequese, do Pe. Valetin, chamando a criançada de “Pazza / chucha” (me perdoem os oriundis se não soube grafar direito) e jogava balas nas nossas cabeças quando a gente errava uma resposta; da Festa de San Gennaro, dos almoços no Dom Bosco, com direito a Bingo; do Nicolau vestido de Papai Noel e da sua família incrível.
Das piscinas do Juventus, onde a gente ficava torrando no sol, sem protetor solar na arquibanca ou na “frigideira”; das domingueiras no antigo salão de festas e depois no salão maravilhoooooooooso que, segundo dizem, um dos maiores do Brasil.
Dos churros de roda, depois dos bailinhos (hoje, baladas) na Ana Nery; do Di Cunto e sua sfogliatella; da Doceira Modelo e seu canudinho de coco...ficaria horas, dias, descrevendo sobre minhas lembranças.
Locais, estabelecimentos comerciais, famílias e principalmente... A GENTE DA MOOCA.
Infelizmente, não moro mais na Mooca, mas meu coração mora.
Ser Moquense, não tem preço.
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